Lamento a Quem Me Engana
Que a noite traga minha casa.
Como chuva cada vez mais forte,
A pressão de meus medos me assombram
A ponto de me enlouquecer,
Entorpecer minha sanidade,
E mergulhar na minha solidão.
Minha poesia não é mais canto
Para os loucos, ou românticos,
Que de um tem um pouco em outro...
Não é mais nada,
São apenas jogadas.
Minha poesia,
Minha sanidade,
São tão inúteis quanto meu amor,
São tão jogados como meu temor...
Ah! Confiança ingrata:
Te faz presa, faz amante,
E como negra viúva te mata!
Acaba com teu caminho!
Porque não há poeta sem poema,
Não há primavera sem cantar,
Não há mais eu sem ela,
Não há vida sem amar...
Meus Erros
Não me arrependo de meus erros...
Não que eu não tenha consciência:
Eles causaram dor em mim
E em outros, às vezes muitos outros...
Mas esses erros não passaram:
Eles continuam, em mim;
Não os revivo, nem um momento,
Os evito, a todo instante.
Cometo erros novos,
Aprendo mais, aprendo de novo,
Com um erro novo...
Pra isso me lembro deles.
Por isso eu os tenho,
E não eles me têm em suas mãos:
Se não os tivesse cometido
No passado ou no presente,
Os cometeria mais à frente
(Talvez inconsciente,
Talvez diferente, de repente,
E quem sabe afetaria mais gente).
Quanto mais o tempo passa,
Mais escolhas fazemos;
Mais rápido, mais rápido,
E temos menos chances de voltar.
E nossas atitudes afetam
Mais pessoas, de forma mais
Intensa, profunda, e permanente...
Ah! Meus erros...
Se pudesse voltar no tempo,
Cometeria todos de novo,
(E talvez alguns novos,)
E com certeza, pediria mais desculpas.